Em Breve!

Mostra Les Diaboliques:

Diretoras de horror 1980-1999

Curadoria: BEATRIZ SALDANHA
20 filmes de 1980 a 1999 • 14 diretoras diferentes

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A mostra contempla vinte longas-metragens de horror dirigidos por mulheres pioneiras do gênero nos Estados Unidos nas décadas de 1980 e 1990.

Ainda que nos últimos anos a pesquisa e a crítica de cinema tenham se debruçado sobre as trajetórias de diversas cineastas apagadas pela história oficial, as realizadoras de horror geralmente ficam de fora desses esforços e permanecem ocultas, conhecidas e reconhecidas apenas em pequenos nichos. O percurso das diretoras de filmes de horror não é tão diferente do que se conta na história do cinema como um todo, com uma certa efervescência da participação feminina nos primeiros anos e minguando logo em seguida, quando o cinema se torna uma indústria muito lucrativa e passa a ser quase que completamente dominada por homens. Leva-se décadas até que as mulheres retomem o controle das narrativas, com algumas exceções nesse ínterim.

Nos anos 1940, a cineasta Maya Deren experimentou com elementos do insólito em seus curtas-metragens; enquanto isso, inserida no contexto de Hollywood, a cineasta independente Ida Lupino transitou pelo gênero na década de 1950. É somente a partir de meados dos anos 1960, em meio ao crescimento dos filmes de exploração, que diversas mulheres encontraram oportunidades de dirigir. Produtores independentes como Roger Corman tinham grande interesse em financiar uma grande quantidade de títulos baratos, rápidos e apelativos para ter uma garantia de retorno financeiro, por isso apostavam na infalível combinação de horror e sexo. Nesse esquema Corman lançou a carreira de diversas cineastas, entre elas Stephanie Rothman (um talento singular que não está contemplada nesta mostra apenas por não se encaixar no recorte temporal), Katt Shea, Amy Jones, Barbara Peeters, Deborah Brock e Sally Mattison.

Oriundas do nicho dos filmes eróticos de produção independente vieram a talentosa Maria Lease e a prolífica Roberta Findlay, cineasta maldita e polêmica com o maior número de filmes nessa mostra (cinco ao todo), dentre os quais consta uma das cenas mais desagradáveis que já testemunhei em um filme de horror. É importante ter em mente que o fato destes filmes terem sido dirigidos por mulheres não significa que sejam filmes feministas. Além de, evidentemente, a ideologia ser um traço individual, a maioria destas mulheres estavam inseridas em um contexto comercial, não-autoral e nadavam a favor da maré. Ainda assim, muitas delas não tiveram a oportunidade de dar prosseguimento às suas carreiras, relegadas ao ostracismo. A seleção especial da Mostra Les Diaboliques: Diretoras de horror 1980-1999 propõe o resgate dessa cinematografia para celebrar o trabalho destas pioneiras de modo que possamos continuar nesta caminhada à nossa maneira, mas reconhecendo de onde viemos.

Beatriz Saldanha (curadora)

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